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ESPELHO D'ÁGUA

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Acordei, e estava sentindo uma preguiça – quase a mesma de sempre. Os olhos mal abriam, então tudo estava distorcido. Senti que minha pele estava seca e que deveria ter passado um hidratante antes de me deitar. Ao espreguiçar, além de sentir a pele demasiado esticada, só conseguia esticar pernas e braços – os movimentos costumeiros de torção no tronco não foram possíveis: eu estava travada – deveria / devo fazer mais alongamento, refleti.

Então abro os olhos e tudo parece continuar distorcido, tudo parece estar na escala errada. Mas minha cabeça não dói, meu pescoço se mexe com muita amplitude e praticamente faço noventa graus ao incliná-lo para trás.

Uow – isso é bom! Consigo rodar a cabeça como nunca, mas penso ser melhor parar pois talvez seja isso que esteja deixando tudo tão grande. Será o vinho do último jantar o responsável por tal sensação de seca liberdade? Ou talvez fosse minha baixa auto-estima se materializando em devaneios reais.

Senti um forte cheiro de banana – hum, banana da terra frita, banana maçã pura, doce de banana nanica… Oras, mas as alucinações estão ficando cada vez mais sérias – até a banana se agigantou. Mas nunca eu pensaria ser meu alimento maior que eu. Até mesmo o boi, não o olho como comida, somente quando em bifes.

Inadequabilidade! acho que é a causa disso tudo, dessas miragens ao avesso.

À minha direita há um espelho d’água, de fundo azul quase artificial – começo a me perguntar onde realmente estou. Mas a secura da pele praticamente me impele em direção à água e a saliva praticamente inexiste na minha boca. Pera lá, meus dentes, também estão diferentes… passo a língua e não mais sinto meus pontudos caninos, responsáveis por diversos machucados acidentais na parte interna das bochechas.

Finalmente olho no espelho e entendo: tornei-me um jabuti.