Alckmin, seus secretários e um pouco de memória

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Alckmin anunciou recentemente os nomes de mais três secretários:

– Saulo de Castro Abreu para a pasta de Transportes

– Jurandir Fernandes para a pasta de Transporte Metropolitanos

– Guilherme Afif Domingos para a pasta de Desenvolvimento

Saulo, antes, foi corregedor-geral no governo Covas (1995) e secretário estadual de Segurança no governo anterior de Alckmin (2002-2006). Mais precisamente, foi O Secretário de Segurança quando dos ataques do PPC e sua demostração de poderio, paralelo ao Estado, em São Paulo. À época, o secretário defendeu a não divulgação da lista de mortos no confronto Polícia x PCC.

No mesmo ano foi denunciado por desacato pois numa reunião na Assembléia Legislativa: questionou a masculinidade de deputados, colocou em dúvida os atributos intelectuais de outro, lançou dúvidas sobre a honestidade de mais um, batucou e de dançou enquanto era ouvido, além de erguer o dedo médio. Um ano antes foi investigado por abuso de poder ao acionar indevidamente um grupo de elite da Polícia Civil e, na “Operação Castelinho” de 2002, deixou 12 mortos supostamente ligados ao PCC – sem comprovações posteriores desse fato. Hoje, tem pouca aceitabilidade pelas chefias das polícias (civil e militar) e deve ter papel fundamental para, no próximo período, reestruturar a DERSA e a ARTESP, além de acelerar as obras viárias de São Paulo. Truculência e falta de perfil não se resolvem com mudança de pasta, de uma mais embativa para outra mais burocrática…

Jurandir Fernandes tem linha mais crítica e menos truculenta que Saulo: formado pelo ITA, doutor  em Transportes Públicos na França e professor da Unicamp, foi secretário municipal de transporte de Campinas duas vezes, uma pelo PT (partido em que começou sua carreira política) e outra pelo PSBD. Ocupou a mesma pasta – Secretaria de Transportes Metropolitanos – na gestão anterior do governo Alckmin. Parece ser um bom nome e, ao que cosnta até o momento, é o único que retornou ao governo na mesma pasta. Só fica uma dúvida para mim: por que secretaria de Transporte E outra secretaria de transportes metropolitanos? O PSDB poderia fazer jus à sua tradição, enxugar a máquina e facilitar a comunicação da burocaria: unificar duas secretarias que tem grande intersecção de escopos.

Guilherme Afif Domingos tem vida política desde a década de 1980 e é afiliado ao DEM (antigo PFL, cuja origem está na ARENA) e compõe o grupo e Gilberto Kassab e Rodrigo Garcia (alguém lembra do jingle da dobradinha Kassab e Rodrigo?). Empresário, foi presidente da Associação Comercial de São Paulo por muitos anos e secretário do Emprego e Relações do Trabalho na gestão de José Serra (2006-2010). Para o próximo período, vai acumular a função de Vice-governador e Secretário de Desenvolvimento. A Secretaria de Desenvolvimento absorverá as funções da Secretaria de Ensino Superior, que será extinta. Esta secretaria foi uma criação escatológica de José Serra, que teve como repercussão ocupação por mais de meses das Reitorias da Estaduais Paulistas por estudantes em 2007, a que o governo estadual teve de recuar de sua intenção de intervir diretamente nessas autarquais que tem como pressuposto autonomia administrativa-didático-científica. Resta saber se a Secretaria de Desenvolvimento ira ter bom senso neste ponto e entender o recado da extinção da Secretaria mal-sucedida de Serra?