8 de março de 2011

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Ontem passou mais um 8 de março, comumente conhecido como dia internacional das mulheres, mas que eu o muitas outras feministas têm por hábito chamar de DIA INTERNACIONAL DE LUTA DAS MULHERES.

De luta porque apesar de termos conquistado o direito ao trabalho e, portanto, à renda e ao sustento  independente dos homens, infelizmente ainda não ganhamos o mesmo que eles para os mesmos postos e funções.

De luta porque apesar de termos conquistado o direito à ingerir a pílula anticoncepcional, ainda não nos conquistamos o direito ao livre arbítrio sobre nossos próprios corpos.

De luta porque apesar de termos conquistados o direito de usar roupas minúsculas, ainda estamos atadas a ditaduras estéticas e amarras morais.

De luta porque apesar de termos conquistado o direito de escolher nossos parceiros sexuais, ainda há julgamentos distintos (para não dizer antagônicos) para homens e mulheres em função do números de parceiros, linguagem empregada, etc.

De luta porque apesar de termos conquistado o direito ao voto, ainda somos minoria nos cargos públicos, seja do legislativo, do executivo ou do judiciário.

Este foi o primeiro 8 de março em que, no Brasil, temos uma presidenta*… mas também foi carnaval. E a inércia é sempre mais forte que a mudança. Assim, pouca atenção foi dada pela mídia a este DIA, infitesimalmente menor que ao carnaval e suas luxuosas escolas de samba.

Houve certa tentativa de subversão popular, aqui em Sampa, com o bloco “Adeus, Amélia!” que levou a mensagem das feministas à população paulistana. Para aqueles que não conhecem o samba de Mário Lago e Ataulfo Alves, o bloco faz alusão à música dele que enaltece aquela mulher, submissa, fiel ao marido tal qual um cachorro que não o abandonaria nem que passasse fome para isso. Para ser sincera, até gosto do sambinha, mas reconhecer o momento histórico a que ele pertence e entender que podemos/devemos superar seu significado é algo que nossa capacidade critica alcança.

E seria esperar muito que houvesse algum enredo de escola de samba abordando essa temática… Mais fácil foi falar de Dubai, incrivelmente parece mais próximo à nossa realidade do que discutir as opressões de gênero diluídas nos gestos cotidianos. Ainda bem que, ao menos, a vencedora foi a Vai-Vai, cujo enredo foi sobre o maestro João Carlos Martins (que possui alguma referência no cenário musical nacional).

Por fim, fica o alerta para aqueles que lêem não fazerem aquela piadinha infame e incômoda: “o dia 8 de março é da mulher, pq todos os outros são os nossos, dos homens”. Infelizmente, ainda são necessários o Dia da Luta da Mulher, do Negro, do Índio, do Imigrante e do Trabalhador, entre outros. Necessários para dar a visibilidade àquelas e àqueles oprimidos diariamente pelo machismo,  pelo capital, pelo preconceito de etnia, pelo preconceito cultural, pelo preconceito religioso, e por tantos outros preconceitos que nos impedem que vejamos uns/umas aos/às outros/outras como iguais.

Ato do Dia Internacional de Luta das Mulheres

Neste fim de semana, convidos a todas e todos para a marcharmos juntas e juntos no Ato do Dia Internacional de Luta das Mulheres promovida pela MMM, em São Paulo, dia 12/03, com concentração às 9h30 no Centro Informação Mulher, na Praça Roosevelt (R.Consolação, 605). De lá, caminharemos pelo centro da cidade encerrando o ato na Praça da Sé.

*não desejo entrar no mérito do desempenho dela ou do partido ao qual ela pertence, mas o fato de precisarmos chegar ao século XXI para ter uma presidenta é significativo.