TF – fichamento #2.2

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Continuando a leitura do livro “Poluição Difusa” de Plínio Tomaz – segue fichamento do capítulo 2 😉

Capítulo 2 – Poluição Difusa

 

Este capítulo fala sobre conceitos de poluição pontual e difusa (p.2-3), avaliação do impacto do lançamento de drenagem urbana sobre o corpo receptor e a resposta do ecossistema (p.2-3), controle da poluição difusa (p.2-4), legislação (p.2-7), impermeabilização do solo (p.2-8), impactos hidrológicos devido à impermeabilização do solo (p.2-9), impactos físicos devido à área impermeabilizada (p.2-12), impactos biológicos devido à impermeabilização dos solos (p.2-16) e impactos na qualidade das águas pluviais devido à impermeabilização do solo (p.2-21).

 

  • Definição de poluição difusa [PORTO, 1995]: “aquela gerada pelo escoamento superficial de água em zonas urbanas e que provém de atividades que depositam poluentes, de forma esparsa, sobre a área de contribuição da bacia hidrográfica.”
  • São 5 condições que caracterizam a poluição difusa:
    • lançamento de carga poluidora intermitente / relacionado com precipitação;
    • poluentes são transportados a partir de extensas áreas;
    • as cargas poluidoras não são monitoradas a partir de seu ponto de origem pois é desconhecido;
    • o controle da poluição difusa deve incluir, obrigatoriamente, ações sobre a área geradora ao invés de apenas atuar sobre o efluente;
    • é difícil estabelecer padrões de qualidade para o lançamento do efluente, já que a carga poluidora varia com a intensidade e duração do evento meteorológico.
  • Dois estudos importantes para estudo de poluição difusa em área urbana: (1) controle da poluição difusa usando as BMPs e (2) avaliação de impacto do lançamento de drenagem urbana sobre o corpo receptor e a resposta do ecossistema.
    • (1) Há basicamente 3 formas de fazer esse controle: prevenindo a entrada de poluentes no runoff (redução do tráfego de veículos, não jogar lixo, óleos ou graxas nas ruas, limpeza pública eficiente – também chamadas BMPs não-estruturais), aumentar as áreas permeáveis (atuar no planejamento urbano, meios para infiltrar as águas pluviais) e tratar o runoff através de BMPs (antes de atingir os cursos d’água através de BMPs estruturais).
    • (2) Os modelos matemáticos existentes de avaliação não consideram o first flush e examinam a variação dos poluentes dentro dos corpos d’água.
  • First Flush – conceito que teve início nos EUA na década de 1970, significa o escoamento pluvial no início de uma chuva, sendo mais pronunciado nas áreas impermeáveis e que carrega grande concentração de poluentes que ficam acumulados no período entre chuvas, quer do solo, quer do interior das canalizações.
  • Processo: águas pluviais → poluição → controle na fonte → pavimento poroso, modular, faixas de filtros gramados, etc. → estruturas de controle, lagoas, etc. → lançamento das águas pluviais
  • Objetivo: controle da poluição difusa antes do curso d’água.
  • Legislação brasileira: a poluição difusa não está prevista no CONAMA 357/2005 → drenagem deve ser objeto de leis estaduais e federais pois muitas vezes os problemas transcendem o escopo municipal!
  • Em outros países: na França as decisões sobre drenagem urbana são tomadas por comitês de bacias desde 1960; nos EUA BMPs para poluição difusa são obrigatórias por lei federal para cidades com mais de 10.000hab; Estado da Flórida estabelece meta de redução de 80% da carga poluente anual.
  • Impermeabilização do solo: impactos para áreas impermeabilizadas inferiores a 10% são menores, de 10% a 25% são preocupantes e acima 25% são desagradáveis.
    • hipóteses: os rios são de 1ª, 2ª e 3ª ordem; a estimativa da impermeabilização tem que ser correta com erros de + ou – 10%; as previsões devem ser encaradas como previsões e não como dados concretos; as marcas de 10% e 25% não são números rígidos; as pesquisas têm origem nos EUA e não no Brasil; os dados achados para córregos e rios podem não ser válidos para lagos e aquíferos.
    • impactos da impermeabilização do solo: (a) hidrológicos, (b) físicos, (c) biológicos e (d) na qualidade das águas pluviais.
      • (a) hidrológicos: aumento do runoff, aumento dos picos de vazões, aumentos das enchentes, decréscimo da vazão de base dos rios.
      • (b) físicos: dificuldades em medir o habitat, mudanças na geometria dos rios (o leito se alarga de 2 – p/ AI~20% – a 8 vezes – p/ AI ~70%), aumento da temperatura, alteração na rede de canais (muito grande quando AI>50%).
      • (c) a comunidade aquática é sensível à qualidade de água, então usa-se os índices IBI, EPT e B-IBI.Observação: nas wetlands os anfíbios são tomados como indicadores → “Existem poucas pesquisas a respeito dos anfíbios com a impermeabilização do solo, sendo que o fator determinante para os anfíbios parece ser o aumento do nível da água, o qual pode eliminar os ovos que ficam nas plantas emergentes. As pesquisas indicaram que, quando o nível de água sobe mais de 22cm, há um declínio das espécies problemas.”
      • (d) qualidade das águas pluviais: sedimentos (TSS, TDS e turbidez), TOC, nutrientes (NH3, NTK, NO3, NO2, PT), bactérias (coliformes termotolerantes), metais pesados (Cd, Pb, Hg, Ni, Zn), hidrocarbonetos (PAH), óleos, graxas e pesticidas.

 

Glossário adquirido:

runnoff – volume do escoamento superficial

Índice da integridade Biótica (IBI) – baseia-se na comunidade de peixes

Índice EPT – baseia-se na soma do nº de famílias de certas ordens de insetos que são sensíveis à poluição e que são as primeiras a desaparecer, a saber Ephemeroptera, Plecoptera e Trichoptera

Bêntico índice da integridade biótica (B-IBI) – afere a comunidade aquática de insetos, caracterizando de pobre a excelente

Sólidos totais em suspensão (TSS) – é a porção dos sólidos de origem orgânica ou inorgânica que é carregada pelas águas pluviais e que pode ser retida com um filtro de vidro – medida varia de 43mg/l a 663 mg/l conforme CWP, 2003.

Sólidos dissolvidos totais (TDS) – é a medida dos sólidos e minerais dissolvidos nas águas pluviais, usado principalmente na indicação de potabilidade da água e pouco usada em águas pluviais

Turbidez – é a medida que mostra os sólidos suspensos na água e que reduzem a habilidade da luz penetrar na água – não é um parâmetro muito usado com águas pluviais.

Carbônico orgânico total (TOC) – indicador de matéria orgânica numa amostra de água (pode ser pluvial) – altas taxas de TOC aumentam a DBO e a DQO. Em águas pluviais urbanas o TOC fica ~17mg/l enquanto a DBO e a DQO, respectivamente, 10,4mg/l e 66,1mg/l.

Nitrogênio amoniacal (NH3) – a amônia na forma livre é tóxica e na forma ionizada não é.

Nitrogênio Kjeldahn (NTK) – é o nitrogênio orgânico com o nitrogênio em forma de amônia, predominante nos esgotos domésticos brutos, apresenta medida de ~1,67mg/l.

Nitrato (NO3) e Nitrito (NO2) – formas orgânicas do nitrogênio, são indicadores de poluição antiga relacionada com o final do processo de nitrificação e têm medidas ~0,837mg/l.

Fósforo total (PT) – é um nutriente que não traz problema de ordem sanitária, mas sua concentração elevada pode levar à proliferação de algas e ao processo de eutrofização do corpo d’água, apresenta medida ~0,337mg/l.

Hidrocarboneto policíclico aromático (PAH) – alguns hidrocarbonetos desse como pireno e benzeno são cancerígenos e tóxicos à biota, concentrações comuns são de 7 gmicrograma/l.