Já tenho a minha passagem

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Não conseguia dormir e saí andando pela cidade, afinal, Viena é muito segura e minha última experiência aqui me lembrava que os bares fechavam cedo. Fiquei feliz quando encontrei um aberto, pois apesar de ser setembro, estava um ventinho frio… Entrei. Perguntei o que tinham de quente e tudo o que o garçom respondia era alcoólico – eu juro que só queria um café quente (ou chocolate, ou capucino, até chá estava valendo). Fiquei com aquela cara desconcertada sem saber se peguntava por um café ou se resolvia beber algo de verdade, porque librianos somos assim: cada escolha é uma escolha de vida. Foram milissegundos reais, muitos muitos imaginários traçando todas hipóteses que consideravam  minha vontade inicial, as possibilidades, a temperatura lá fora, o preço das bebidas…

A gente quer uma cerveja!
Nossa, você por aqui?!
Sim, estou indo visitar a Nessa e resolvi vir por Viena – acabei de deixar as malas no Hostel na MariaHilfer Strasse.
Cara, que mundo ovo! Preciso sair do Brasil para ver as amigas de São Paulo no meio da madrugada no bar!!!
Melhor que não encontrar nunca mais, não é?

E a gente conversou e bebeu litros. Falei da felicidade de estar morando num lugar sem algazarra na rua, sem Tropical Butantã. Ela falou da nova fase da vida, sobre projetos me-ga-lo-ma-ní-a-cos, de como mudar o mundo, naquilo que importa – como sempre, aliás.
E falamos de como nos conhecemos, ou melhor, lembramos que não nos lembramos exatamente como e quando nos conhecemos.
Deixa isso para lá, isso não importa – ela fez aquela quebradinha de mão e riu.
E nos atualizamos das últimas notícias da THacker, do Ônibus Hacker, e da sortuda Kombi Hacker – Sabe que uma pessoa da rua do LabHacker ganhou 30mil apostando no bicho os números da placa da Kombi? Agora avizinhança acha que o projeto traz boa sorte para o bairro! – parecia história de Peixe Grande, mas a realidade pouco importava depois de 6 copos de meio litro de cerveja vazios na mesa.

Retomamos uma conversa que tínhamos deixado em aberto um dia, sobre as necessidades de avançar as conquistas da LAI e como fazer para as coisas mudarem para quem mais precisa.
Achamos poucas saídas e muitas limitações no modelo (quase só) representativo atual. Deixamos como ToDo Task fundar um partido crowdsourced com o Markun quando voltássemos ao Brasil. Se a Dani voltar para terras canarinhas ela será candidata a deputada federal, a Pati vai cuidar da comunicação e da privacidade, a Fê vai garantir a integridade, a Gaby via puxar a articulação com o movimento feminista e o Casaes será lobista oficial, porque nada melhor para quebrar o lobby da corrupção do que o lobby legalizado, transparente e com schedule publicado na internet!- hahahahaha
Putz – caiu! Mas olha, a gente paga pela caneca. Aliás, a gente também pode trazer nossos amigos para beber aqui amanhã e ajudar na divulgação do bar porque essa cerveja feminista é ótima!

Saímos do bar, pagamos a caneca e levaremos nossos amigos lá, a despeito da cara feia da moça do caixa.

E agora o quê?
Ah sei lá, casar ou comprar uma bicicleta?
Que tal comprar uma bicicleta e um pônei?
Você só pode estar brincando?!
Ah, deu certo com o ônibus, por que não?
Não consigo acreditar no que vou dizer… mas ok, onde compramos?
Vem que eu sei onde tem!

Corremos enquanto o dia amanhecia, viramos à direita duas vezes e umas trinta à esquerda de forma que não sei como não voltamos para o mesmo lugar de onde saímos. Cruzamos uns cinco portões e perto de uma ponte grande havia uma minúscula loja com uma placa dizendo: Vendem-se bicicletas e pôneis.
Ser hacker é isso – conhecer lugares que nem o Google conhece…
Escolhi minha bike laranja neon e ela, o seu pônei.
Own, olha a carinha dele.
Ele é o mais feinho, mas ele parece meiguinho mesmo.
Então é esse mesmo – quero levar esse!

Saímos de lá, pedalando e cavalgando pela Chapada Diamantina.
Vimos o nascer do sol mais lindo de nossas vidas.
Sentamos na beira de um penhasco e ficamos lá, completamente em paz.
Acho que está na hora de irmos, o pessoal do busão deve estar acordando.
Qual é a próxima cidade?
Serra da Saudade
Hum, eu preferia ir para Serra da Alegria.
Mas, mas… você nem sabe se existe, e se existir, como vai para lá?
Ah, saber se existe a gente resolve com internet e para ir é só ter uma passagem.
Li, aqui não tem rodoviária para comprar passagem para lugar nenhum… bora de volta?
Aha! Olha a surpresa: eu já tenho a minha passagem – vou de pônei. Fala para o pessoal me encontrar lá depois?
Aviso sim, pode deixar!

Foi um abraço forte, longo, pleno.
Ela partiu cavalgando e sorrindo por cima do desfiladeiro.
liane2


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